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21
Jun20

A cara da doença mental

«Nem sempre um sorriso determina o bem-estar»
No Mundo, são mais de 300 milhões de pessoas que sofrem de depressão e cerca de 800 mil os casos anuais em que a pessoa decide pôr termo à própria vida (1 pessoa por cada 40 segundos). Em Portugal, as perturbações depressivas contribuem para cerca de 70% dos cerca de 1000 suicídios anuais (3 por dia). Também em Portugal, 65% de pessoas com perturbações mentais moderadas e 33,6% com perturbações graves não recebem cuidados de saúde mental adequados. O estigma continua bem presente e os números também. Quanto às prioridades, só me ocorre o termo 'ausência'.
 

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12
Jun20

Vanguarda nas embalagens

Entretanto, nos primeiros 3 meses deste ano, foram vendidas 5 milhões (5 277 144) de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos - mais 400 mil do que no ano passado. Somos o quinto país da OCDE que mais consome ansiolíticos e antidepressivos. Se recuarmos a 2019, a compra destas embalagens representou um custo superior a 100 milhões de euros ao SNS. Pena que não fique por aqui, pois nesse mesmo ano os custos com a doença mental em Portugal rondaram 3,7% do PIB (6,6 mil milhões de euros distribuídos por custos diretos e indiretos). Contudo, estes são números normais se tivermos em conta que o número de respostas (ao nível da Psicologia Clínica) estão ainda muito aquém. Como Psicólogo, constato estes números sempre com bastante apreensão. Se depois voltar a constatar mas de um modo ainda mais abrangente, a apreensão tende a subir de intensidade. Diria que as repercussões vão estando por aí para quem as quiser analisar e refletir sobre elas.

https://observador.pt/2020/06/09/foram-vendidas-5-milhoes-de-embalagens-de-ansioliticos-e-antidepressivos-nos-primeiros-tres-meses-do-ano-mais-400-mil-do-que-no-ano-passado/

e ainda, 

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-jun-2020/em-tres-meses-vendidas-mais-de-5-milhoes-de-embalagens-de-ansioliticos-e-antidepressivos--12283380.html?fbclid=IwAR3rTBEDYZWDvCFYhB6W1l1FTkpsS8IPAvLaoFOGTNpqo8eOuuinkNRxeKw

e ainda,

https://www.facebook.com/watch/?v=723235298216432

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02
Jan20

A Saúde Mental nas instituições de acolhimento

À medida que o tempo passa e os relatórios vão saindo dos mais diferentes contextos de análise, os dados tendem a não ser (de todo) favoráveis a um desenvolvimento sustentável do bem-estar da sociedade, atingindo também a fração referente às crianças e jovens institucionalizados. Neste âmbito, no final do mês de Dezembro de 2019 foi entregue ao parlamento o relatório da já habitual Caracterização Anual da Situação de Acolhimento que dizia o seguinte: em 2018, mais de metade (53%) das 7032 crianças e jovens que se encontravam institucionalizadas tinham expressões ou sintomas relacionados com problemas de saúde mental. Das 7032 crianças e jovens, 65% (4554) enquadram-se em grupos de alta vulnerabilidade. Um universo de 1593 crianças encontram-se a ter um acompanhamento psiquiátrico regular e 394 um acompanhamento irregular [1639 a fazer medicação psiquiátrica]. Em acompanhamento psicológico regular ou irregular encontravam-se 2720. Este relatório indica ainda que 3781 crianças e jovens desenvolveram problemas de comportamento, problemas cognitivos, ou manifestaram sintomas psicóticos e dependências. Realça-se ainda que o número de institucionalizados a beneficiar de casas de acolhimento especializado é ínfimo: apenas 97 em 2018 (94 em 2017). Por fim, a adição de drogas continua a ser um fator predominante em jovens entre os 15 e os 17 anos de idade, atingindo assim 78% deste conjunto de jovens em acolhimento.
Esta acaba por ser mais um espelho de uma realidade específica, onde se verificam novamente dados muito significativos e merecedores de reflexão pelas diferentes entidades responsáveis e influenciadoras (politicamente, inclusive).

Link da Notíciahttps://www.publico.pt/2019/12/31/sociedade/noticia/metade-criancas-acolhimento-problemas-saude-mental-1898888