Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

12
Jun20

Vanguarda nas embalagens

Entretanto, nos primeiros 3 meses deste ano, foram vendidas 5 milhões (5 277 144) de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos - mais 400 mil do que no ano passado. Somos o quinto país da OCDE que mais consome ansiolíticos e antidepressivos. Se recuarmos a 2019, a compra destas embalagens representou um custo superior a 100 milhões de euros ao SNS. Pena que não fique por aqui, pois nesse mesmo ano os custos com a doença mental em Portugal rondaram 3,7% do PIB (6,6 mil milhões de euros distribuídos por custos diretos e indiretos). Contudo, estes são números normais se tivermos em conta que o número de respostas (ao nível da Psicologia Clínica) estão ainda muito aquém. Como Psicólogo, constato estes números sempre com bastante apreensão. Se depois voltar a constatar mas de um modo ainda mais abrangente, a apreensão tende a subir de intensidade. Diria que as repercussões vão estando por aí para quem as quiser analisar e refletir sobre elas.

https://observador.pt/2020/06/09/foram-vendidas-5-milhoes-de-embalagens-de-ansioliticos-e-antidepressivos-nos-primeiros-tres-meses-do-ano-mais-400-mil-do-que-no-ano-passado/

e ainda, 

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-jun-2020/em-tres-meses-vendidas-mais-de-5-milhoes-de-embalagens-de-ansioliticos-e-antidepressivos--12283380.html?fbclid=IwAR3rTBEDYZWDvCFYhB6W1l1FTkpsS8IPAvLaoFOGTNpqo8eOuuinkNRxeKw

e ainda,

https://www.facebook.com/watch/?v=723235298216432

naom_595d3cc48236d.jpg

 

16
Fev20

Eutanásia consensual?

https://www.rtp.pt/noticias/pais/conselho-de-etica-medica-da-nota-negativa-as-propostas-politicas-sobre-a-eutanasia_a1204892
Esta é uma notícia muito importante no meio desta discussão sobre a Eutanásia que resultou na apresentação de vários projetos (nota: uns já estavam feitos, outros foram feitos à pressa porque nem sequer constavam nos programas políticos). É preciso que se diga o seguinte – estes projetos não são suficientemente sólidos e consistentes por todas as questões que continuam a levantar, sejam elas de carís legal, moral, ético ou deontológico (para os médicos e para os pacientes também). Querem votar em algo desta natureza sem considerar uma discussão alargada? É assim tão fácil e leviano decidir sobre a Eutanásia e tudo o que a abrange? É assim tão fácil apresentar uns projetos cheios de inconsistências, falta de rigor e inúmeras indefinições, e mesmo assim vamos votar mas é nisto e arrumar com esta velha questão? Proponho apenas pensarmos sobre este tema de acordo com um programa muito conhecido e cujo nome se apresenta com uma forma interrogativa: e se fosse consigo? E se fosse uma mãe, um pai, um/a irmão/a a pedir para acabar com a vida, para desaparecer deste mundo, para ir para um local onde já não o pudéssemos ver, tocar, cheirar ou simplesmente estar perto até ao último fólego, até ao último segundo. Será que as opiniões cheias de racionalidade (e ideologia), continuarão igualmente tão consistentes comparadas com as análises que fazemos da situação no seu global? Pois, também não sei muito bem responder a esta questão. Contudo, considero sim que a discussão não deveria de ser sobre a Eutanásia, mas sim sobre os Cuidados Paliativos em Portugal – debruçarei-me-ei sobre os mesmo mais a diante.

Muito resumidamente, eis o que se pretende: primeiro, quer-se tornar despenalizável a ajuda ao suicídio e a eutanásia ativa quando esta estiver a ser pratica por um médico; e em segundo, legalizar a indução de morte a quem a solicita sobre determinadas condições clínicas.  

Sendo que é um tema em que os argumentos se dividem, vou tentar esmiuçar aquilo que está a ser considerado e expor ao mesmo tempo o que deve ser profundamente interrogado, refletido e analisado.

Os projetos centram-se essencialmente sobre o respeito da autonomia e o reconhecimento da mesma. Neste ponto, deverão as decisões relacionadas com a saúde serem substanciadas numa liberdade absoluta? Onde pára a responsabilidade moral do Estado para com os cidadãos? Onde pára também o juízo que o doente faz sobre a possibilidade ou não de existir um alívio para o seu sofrimento e deste modo legitimar então a sua decisão? Parece também que aqui a morte é apresentada como a resposta-chave e única para o sofrimento. O ato de matar e/ou de auxílio ao suicídio por terceiros justificam-se aqui na base da pessoa decidir e ser autónomo nessa decisão. Este pedido não estará perigosamente a ser colocado ao mesmo nível das recusas de tratamento e abandonos do mesmo, por exemplo? O Estado não deverá promover as boas práticas clínicas e científicas e prestar tais serviços com a máxima de qualidade? Onde vai parar o investimento (escasso e pobre) nas redes de Cuidados Paliativos? Vão acabar? Ou tornar-se-ão menos ativas com a legalização destas práticas? Eu sou defensor acérrimo destes serviços altamente eficazes e eficientes nas questões da dor e do sofrimento profundo. Aquilo que se verifica é que estas pessoas deixam geralmente de querer recorrer à morte quando lhes é prestado este serviço. Mesmo no caso limite da sedação terminal, nunca em momento algum se visa acabar com a vida de alguém, mas sim permitir-lhe o alívio do sofrimento. Estamos a ver esta discussão em jogo? Que mecanismos sociais estão e podem estar ao dispor de todas estas pessoas? Existem? E se existem, qual a sua dimensão? São suficientes? Nem todos têm acesso? Porquê? Podemos também questionar se realmente esta fase terminal da vida já não é digna de ser vivida. Atualmente existem 79 equipas de cuidados paliativos em Portugal (4/4 com gestão pública e ¼ com gestão privada, com a maioria a ter acordos com o SNS), 32 unidades de internamento (metade sob gestão privada), 70 hospitais com apoio intra-hospitalar por parte destas equipas e 26 equipas de cuidados paliativos domiciliários. Os relatórios dos profissionais têm apontado sempre o mesmo: assimetrias na cobertura destas cuidados; inexistência de cuidados paliativos domiciliários em mais de metade das regiões; metade das unidades de internamento sob gestão privada. A desigualdade no acesso a determinados cuidados é algo que devia ser muito mais discutido diaramente do que qualquer outro assunto neste âmbito. As iniquidades em serviços que podem proporcionar qualidade de vida mesmo numa fase final não se discutem? Passa a ser um dever do Estado regular pedidos de morte?

Vamos voltar à questão da autonomia e ver que ninguém ainda objetivou de forma inequívoca o seguinte: como é que vamos discernir sobre a capacidade daquela pessoa para exercer livremente a sua autonomia? As propostas abordam a questão meramente legal (exemplo: a idade; a inabilitação). Isto expressa por si só uma autonomia fundamentada para pedir a morte? Em muitos casos não existirá uma enorme dificuldade em definir a comunicação destes doentes com casos de patologias fatais? Como funcionará a aplicação deste exercício na valorização ou não desta comunicação?

Por último, a questão relacionada com a intervenção central por parte do médico, quando no seu Código Ético e Deontológico não permite realizar este tipo de intervenções, pois violam princípios chave da sua prática. Passaria a ser uma obrigação desta classe profissional? O Juramento de Hipócrates postula “não darei veneno a ninguém, mesmo que mo peça, nem lhe sugerirei essa possibilidade”.

Fechando este raciocínio, dizer que considero que qualquer que seja a decisão que se tomará (tendo em conta que as pessoas estão mesmo convictas que é possível tomar uma decisão boa e consensual), esta não deverá NUNCA colocar em causa o Serviço Nacional de Saúde. É preciso ter em conta que o debate deste tipo de questões envolvem tomadas de posição mais emotivas, menos sérias e menos racionais. A discussão não deve ser breve nem leviana, nem baseada em meia dúzia de projetos e muito menos em ideologias e pressupostos subdesenvolvidos. Mas de uma coisa eu tenho quase a certeza: o consenso nesta matéria é inatingível.

Nota final: pessoalmente sou favorável a uma despenalização com cabeça, tronco e membros bem definidos.

 

sdsdds.jpg

 

07
Out19

Um possível resumo das Legislativas 2019?

O único elemento destas Eleições que não merece nenhuma salva de palmas ou sequer voto na matéria nos próximos 4 anos é a chamada abstenção. Mais uma vez, atinge resultados históricos (45,5%). Mas dá para encarar como um pau de dois bicos. Se com este nível de abstenção conseguimos colocar a Extrema-Direita no parlamento, temo pelo voto da percentagem que podia ter contribuido para a diminuição deste inércia. Mas quero muito acreditar que podia funcionar ao contrário, evitando estes 'incidentes' políticos.

Pela Extrema-Direita identifico todas as pessoas que se congratulam pelas causas do "Chega". Questiono-me até se sabiam no que votavam, se leram uma alínea que seja do programa base deste grupo partidário. Eu passo a elencar algumas:

- Eliminar o cargo de primeiro-ministro

- Castração química de pedófilos

- Permitir a prisão perpétua

- Criar uma taxa única de IRS

- Extinguir o Ministério da Educação

- Promover a gestão privada dos Hospitais e da Saúde

- Fim do casamento homossexual e adoção de crianças por casais homossexuais

- Citações muito interessantes de serem analisadas do ponto de vista da sua formulação: "defendemos uma sociedade com base no mérito, onde os melhores não serão prejudicados pelos medíocres!" ; "O fim da aplicação das ideologias de inclusão e ideologia de género no sistema nacional de educação, colocando-se termo à aplicação das orientações da ONU relativamente às chamadas 'questões psicológicas de transtorno de identidade de género'" ;  "Em todos os graus de Ensino os professores recuperam totalmente a autoridade perdida sobre os alunos, sendo-lhes devolvidos todos os meios que lhes permitam manter a disciplina nas aulas". 

Chega?

________

Outros elementos a relevar destas Eleições:

- Descobri, através do discurso de vitória da Iniciativa Liberal (IL), que o Socialismo governa Portugal há mais de 20 anos. Não sabia (possívelmente um equívoco). 

- Descobri também que a IL classifica os últimos 4 anos como "estagnação".

- António Costa proferiu no seu discurso de vitória "Com o Chega não contamos para nada". Acredito que a maioria do parlamento reitera esta afirmação.

- No seu discurso de vitória, o representante do "Chega" afirma que daqui a 8 anos vão ser o maior partido de Portugal.

- Rui Rio (PSD) apresentou um discurso mais ou menos firme e mais ou menos decidido. No entanto, tivesse ele feito a oposição que fez no último mês antes das Eleições e o resultado podia ter ser bem melhor. Porém, penso que os concensos em pontos nevrálgicos de Portugal, são possíveis (e.g., Defesa).

- O Livre, por Joacine Katar, defendeu a não proliferação da extrema-direita no parlamento.

- O CDS-PP obteve um resultado negativamente histórico, com a líder Assunção Cristas a colocar à disposição o futuro do partido.

- O Bloco de Esquerda, em certa medida, consolidou a posição. Já o PCP ambicionava claramente um resultado positivamente diferente daquele que teve.

- O PAN vê as suas ideologias reforçadas dentro do parlamento, inclusive ao eleger uma deputada que ainda tem de ler e saber melhor o que consta no programa do próprio partido. Não deve ser fácil, 1196 medidas não são fáceis de interiorizar, nem mesmo elas estando por pontos.

Em relação à solução política que vai ser encontrada para os anos de governação que se seguem, esta terá forçosamente de ser baseada numa premissa: estabilidade.

Mesmo em conclusão e sabendo eu que estamos numa democracia, não vejo frutos benéficos e sólidos numa pluralidade parlamentar da forma como ficou estabelecida nestas eleições. Não consigo encontrar uma vantagem firme. É como se a perfeita Curva de Gauss começasse a ganhar ligeiras alterações nas suas extremidades, passando assim a designar-se com outro nome, mais esquisito e mais estranho ...

sdssdds.jpg#legislativas2019

06
Out19

Legislativas 2019

Factos neste dia de voto nas Eleições Legislativas 2019:

1. As pessoas continuam desinformadas acerca da política e do mundo, alimentando cada vez mais os partidos Populistas que nem sequer sabem fazer e/ou não têm a mínima ideia, por exemplo, do que são cenários macroeconómicos.

2. A Legislatura de 2015 a 2019 foi significativamente melhor do que a Legislatura de 2011 a 2015.

3. Entre o PS e o PSD não há O MELHOR.

4. Contudo, estes (PS e PSD) continuam a ser os partidos mais coerentes, menos populistas do que todos os outros, com uma visão pró-Europa ESSENCIAL e capazes de exercer atos de governação deste tipo. Nota: mesmo em coligações (positivas).

5. Conseguirmos votar é um direito que foi outrora conquistado. Usufruir desse direito é um privilégio.

Votação-secreta-em-assembleia-condominial-01-1#legislativas2019

30
Set19

Desmistificar os Mistificadores?

O fundamentalismo e o histerismo foram muito felizes (ou não) no século XIX e XX, mas parece que voltaram desta vez para atacar a Agricultura, as Vacas e a Carne em geral de violentarem estrondosamente e catastroficamente o efeito de estufa através da emissão de gases poluentes. Para este caso, será que duas imagens valem mais do que mil palavras?

EMISSOES 2017.jpg

carbon-dioxide-co2-emissions-by-sector-or-source.p

A largar foguetes, felizes e contentes estão certamente as Indústrias da Energia, do Petróleo e do Carvão. Ou então os responsáveis por Coimbra, onde com a decisão muito democrática e sustentada do corte de vaca nas cantinas universitárias já nem precisam de reduzir milhares de estacionamentos e de promover veemente o uso de transportes públicos.