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09
Abr20

Tempos de decisões

Felizmente, as decisões têm de ser tomadas em alguma altura e de alguma forma. Infelizmente, tomar decisões em contexto de incerteza não é certamente a tarefa mais fácil. Lá fora, temos o The New York Times [https://www.nytimes.com/2020/04/07/world/europe/spain-coronavirus.html] a relevar o papel eficiente que Portugal e seu governo tem tido no combate à pandemia. Cá dentro, temos i. uma comunicação social algo ostensiva, negativa e pouco construtiva; ii. uma propagação de desinformação sem precedentes; iii. representantes de alguns setores com discursos por vezes desvalorativos; iv. uma fração da população pouco compreensiva e com um criticismo também ele facilmente destrutivo.
Os desafios não acabam certamente na Educação. Não acabam também na Saúde. Todos os sistemas económicos, por consequências óbvias, estão a ceder (exemplo: 16 milhões de desempregados em 3 semanas nos Estados Unidos; em Espanha, cerca de 800 mil). Caminhamos para uma crise económica que fará lembrar as más memórias da crise de 2008. Mas se é mesmo para ficar tudo bem, existem muitos pressupostos que ainda têm de ser preenchidos, e continuam a não o ser. Se por um lado parece haver um esforço, este acaba por não ser conjunto. E se não é em conjunto, perde a força. Acredito numa responsabilidade e comprometimento 'ensemble'. Dessa forma, evoluímos. Não podemos pedir que sejamos compreensivos com tudo, mas podemos ser mais responsáveis quando a incompreensão está presente.
 
 

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24
Fev20

TPC's? Sim ou não?

Há uns tempos li um artigo muito conhecido do Psicólogo Eduardo Sá que se intitula de 'Deixem os trabalhos de casa em paz', onde apesar de em alguns momentos ser um texto demasiado hiperbolizante, concordo com a caracterização que apresenta em relação ao nosso ensino educativo: mais amigo do reproduzir e do repetir do que do recriar e do repensar;  aulas, sobretudo, expositivas; "comboios de conteúdos" expostos sem espaço para os conversar, sem desenvolver a curiosidade ou o espírito crítico.

Estou de acordo e considero que a versão clássica dos trabalhos de casa está extremamente desgastada (mandar - fazer - repetir; mandar - fazer - repetir) e o aluno também sente isso. Concordo ainda com a parte da necessidade reinvenção deste sistema de TPC's. A investigação continua a relatar que a marcação e a realização dos trabalhos para casa tem EFEITOS POSITIVOS no RENDIMENTO ESCOLAR (o tal modelo clássico não é totalmente ineficaz). No entanto, estes efeitos triplicam quando os professores dedicam tempo a avaliá-los, a classificá-los, a corrigí-los e a fazer comentários específicos sobre o que melhorar, bem como a discutir as várias soluções. Estes trabalhos de casa permanecem eficazes mesmo nos alunos que frequentam o ensino secundário. No entanto, são necessários mais pilares do que aqueles que existem neste momento, como complementariedade a uma tarefa que não pode ser predominantemente vista como uma "seca", uma "perda de tempo", em suma, um momento entediante diário. Outro ponto relevante é a questão da quantidade dos TPC's (quantos mais, melhor - ERRADO!). Neste âmbito, a qualidade é tão importante como a quantidade, com a ligação entre os conteúdos das aulas e as capacidades dos alunos a ser também muito preponderante. No sentido da reinvenção, a receita que nos é dada pela investigação é a seguinte:

- os professores marcam, corrigem e fazem comentários (realçar o papel importante do feedback que é dado - reforçar o que foi feito corretamente e voltar a ensinar o que está errado)

- os pais verificarem se os filhos fazem

- o aluno realizá-los

Mas como observamos em vários ramos profissionais, as conceções teóricas (mais recentes, atualizadas e com fundamento científico) são uma coisa, as práticas em si são outras. E sim, sei perfeitamente que a organização do sistema de ensino atual não permite o "tempo" que todos estes processos levam na sua operacionalização. Enquanto isso, continuaremos sempre a chover num molhado esquisito, e a optar por estratégias e métodos cada vez mais desgastados e ineficientes.

TPC's? Sim. Mas, mais uma vez, o segredo está na forma.

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