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09
Abr20

Tempos de decisões

Felizmente, as decisões têm de ser tomadas em alguma altura e de alguma forma. Infelizmente, tomar decisões em contexto de incerteza não é certamente a tarefa mais fácil. Lá fora, temos o The New York Times [https://www.nytimes.com/2020/04/07/world/europe/spain-coronavirus.html] a relevar o papel eficiente que Portugal e seu governo tem tido no combate à pandemia. Cá dentro, temos i. uma comunicação social algo ostensiva, negativa e pouco construtiva; ii. uma propagação de desinformação sem precedentes; iii. representantes de alguns setores com discursos por vezes desvalorativos; iv. uma fração da população pouco compreensiva e com um criticismo também ele facilmente destrutivo.
Os desafios não acabam certamente na Educação. Não acabam também na Saúde. Todos os sistemas económicos, por consequências óbvias, estão a ceder (exemplo: 16 milhões de desempregados em 3 semanas nos Estados Unidos; em Espanha, cerca de 800 mil). Caminhamos para uma crise económica que fará lembrar as más memórias da crise de 2008. Mas se é mesmo para ficar tudo bem, existem muitos pressupostos que ainda têm de ser preenchidos, e continuam a não o ser. Se por um lado parece haver um esforço, este acaba por não ser conjunto. E se não é em conjunto, perde a força. Acredito numa responsabilidade e comprometimento 'ensemble'. Dessa forma, evoluímos. Não podemos pedir que sejamos compreensivos com tudo, mas podemos ser mais responsáveis quando a incompreensão está presente.
 
 

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23
Dez19

A discussão do Aborto

Existem, de forma muito evidente, duas posições perante este tema: o lado conservador da vida humana e o lado conservador do livre arbítrio da mulher. A ideia de que se proibirmos o aborto reduziremos ou acabaremos com este fenómeno é uma autêntica falácia. Um estudo que abordou a incidência do aborto entre 1990 e 2014 (Sedgh, Bearak, Singh, Bakole, Popinchalk, Ganatra et al., 2016) verificou que as restrições realizadas em muitos países não parecem reduzir as taxas de aborto. No entanto, as estratégias mais eficazes no "combate ao aborto" (todos - conservadores de ambos os lados - concordam que queremos menos abortos) são as seguintes:

a. Acesso a Meios Anticoncepcionais e Educação Sexual nas escolas

b. Legalização do Aborto - que tem um impacto significativo na diminuição da criminalidade, ao contrário do que os, geralmente, não entendidos na matéria apregoam. Leva igualmente a um menor número de abortos ... pois oq ue se verifica é que as taxas de aborto são ligeiramente maiores em países com restrições ao aborto. Em Portugal, tem-se verificado uma taxa de abortamento a diminuir de ano para ano.

As orientações políticas têm, de uma vez por todas, de começar a deixar ideologias e substituí-las pelos dados que nos são fornecidos pelo conhecimento científico, nomeadamente pelo que os dados que daí saem, nos dizem. Um mundo profundamente ideológico (e.g., crenças partidárias) pode prejudicar gravemente uma sociedade, ignorando nuances importantes em decisões chave para o desenvolvimento do país.

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