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07
Out19

Um possível resumo das Legislativas 2019?

O único elemento destas Eleições que não merece nenhuma salva de palmas ou sequer voto na matéria nos próximos 4 anos é a chamada abstenção. Mais uma vez, atinge resultados históricos (45,5%). Mas dá para encarar como um pau de dois bicos. Se com este nível de abstenção conseguimos colocar a Extrema-Direita no parlamento, temo pelo voto da percentagem que podia ter contribuido para a diminuição deste inércia. Mas quero muito acreditar que podia funcionar ao contrário, evitando estes 'incidentes' políticos.

Pela Extrema-Direita identifico todas as pessoas que se congratulam pelas causas do "Chega". Questiono-me até se sabiam no que votavam, se leram uma alínea que seja do programa base deste grupo partidário. Eu passo a elencar algumas:

- Eliminar o cargo de primeiro-ministro

- Castração química de pedófilos

- Permitir a prisão perpétua

- Criar uma taxa única de IRS

- Extinguir o Ministério da Educação

- Promover a gestão privada dos Hospitais e da Saúde

- Fim do casamento homossexual e adoção de crianças por casais homossexuais

- Citações muito interessantes de serem analisadas do ponto de vista da sua formulação: "defendemos uma sociedade com base no mérito, onde os melhores não serão prejudicados pelos medíocres!" ; "O fim da aplicação das ideologias de inclusão e ideologia de género no sistema nacional de educação, colocando-se termo à aplicação das orientações da ONU relativamente às chamadas 'questões psicológicas de transtorno de identidade de género'" ;  "Em todos os graus de Ensino os professores recuperam totalmente a autoridade perdida sobre os alunos, sendo-lhes devolvidos todos os meios que lhes permitam manter a disciplina nas aulas". 

Chega?

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Outros elementos a relevar destas Eleições:

- Descobri, através do discurso de vitória da Iniciativa Liberal (IL), que o Socialismo governa Portugal há mais de 20 anos. Não sabia (possívelmente um equívoco). 

- Descobri também que a IL classifica os últimos 4 anos como "estagnação".

- António Costa proferiu no seu discurso de vitória "Com o Chega não contamos para nada". Acredito que a maioria do parlamento reitera esta afirmação.

- No seu discurso de vitória, o representante do "Chega" afirma que daqui a 8 anos vão ser o maior partido de Portugal.

- Rui Rio (PSD) apresentou um discurso mais ou menos firme e mais ou menos decidido. No entanto, tivesse ele feito a oposição que fez no último mês antes das Eleições e o resultado podia ter ser bem melhor. Porém, penso que os concensos em pontos nevrálgicos de Portugal, são possíveis (e.g., Defesa).

- O Livre, por Joacine Katar, defendeu a não proliferação da extrema-direita no parlamento.

- O CDS-PP obteve um resultado negativamente histórico, com a líder Assunção Cristas a colocar à disposição o futuro do partido.

- O Bloco de Esquerda, em certa medida, consolidou a posição. Já o PCP ambicionava claramente um resultado positivamente diferente daquele que teve.

- O PAN vê as suas ideologias reforçadas dentro do parlamento, inclusive ao eleger uma deputada que ainda tem de ler e saber melhor o que consta no programa do próprio partido. Não deve ser fácil, 1196 medidas não são fáceis de interiorizar, nem mesmo elas estando por pontos.

Em relação à solução política que vai ser encontrada para os anos de governação que se seguem, esta terá forçosamente de ser baseada numa premissa: estabilidade.

Mesmo em conclusão e sabendo eu que estamos numa democracia, não vejo frutos benéficos e sólidos numa pluralidade parlamentar da forma como ficou estabelecida nestas eleições. Não consigo encontrar uma vantagem firme. É como se a perfeita Curva de Gauss começasse a ganhar ligeiras alterações nas suas extremidades, passando assim a designar-se com outro nome, mais esquisito e mais estranho ...

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