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Curta Partilha, Curta Opinião

29
Dez19

O Papa e a ferida dos jovens

Confesso que não sou um seguidor assíduo das declarações do representante da Igreja Católica, mas parece-me que aqui acabou por tocar numa ferida que subjaz ao grande fenómeno das faixas etárias mais jovens: o uso excessivo e inadequado das tecnologias, nomeadamente enquanto se tenta que a criança coma a sopa toda. Desengane-se quem pensa que o vício é exclusivamente dos filhos. O vício é mútuo. Um, pela prática direta do uso (e.g., existem dados que apontam que crianças de 18 meses veem uma média de 14 horas de televisão por semana). O outro, pela prática direta de recorrer a essa mesma estratégia para obter um fim teoricamente agradável (exemplo: para a criança parar a birra). A propósito deste tema, eis o que a literatura científica recentemente nos disse [investigação datada de novembro de 2019, Poulain e colaboradores]: verificaram que um maior tempo dispendido no uso das tecnologias por parte das crianças estava associado a mais problemas de comportamento, mais sintomas relacionados com a inatenção e a hiperatividade e a um comportamento prosocial mais deficitário. São factos que, a meu ver, resistem às mais que vastas argumentações.