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Curta Partilha, Curta Opinião

25
Nov19

A diferença entre os alunos que conseguem e os que não conseguem

É mais que certo que todos as crianças, em alguma ocasião, já se confrontaram com o fracasso. No entanto, nem todas apresentam a mesma resposta. Assim, surge a seguinte questão: então mas como é que umas conseguem estar perfeitamente diante do erro/falhanço e atingir os seus objetivos, enquanto outras tendem a desistir rapidamente. Essencialmente porque existem dois tipos de crianças, onde podemos encontrar formas respetivamente diferentes de explicarem os resultados alcançados.

1. Crianças orientadas para as suas competências: elas atribuem o seu sucesso às suas competências e tendem a externalizar os falhanços (e.g., "teste injusto") ou a atribuí-los a causas instáveis que podem facilmente ultrapassar (e.g., "faço muito melhor se me esforçar mais para a próxima"). Ou seja, estas crianças persistem perante a falha ao acreditar que o seu esforço subsequente vai levá-las de encontro a uma trajetória ascendente. Outro aspeto importante: as suas competências são vistas como estáveis, não flutuantes (o que permite um olhar muito mais confiante acerca de eventuais sucessos futuros e em relação à própria progressão das suas capacidades).

2. Crianças orientadas para o desânimo-aprendido: elas atribuem o sucesso a fatores instáveis como o trabalho árduo ou à sorte. Assim, não experienciam o orgulho e auto-estima que subjazem a uma visão do self como competente. Tendencialmente, atribuem os seus fracassos a fatores estáveis e internos, nomeadamente a sua falta de capacidade/competências, que tem como consequência a criação de baixas expetativas em relação a sucessos futuros, desistindo na maior parte das vezes. Se em relação às causas mais estáveis existe a perceção de que há pouco a fazer, então aparece a frustração e vê muito poucas razões para progredir - pára de tentar e reage com desesperança.

Uma vez estabelecido qualquer um destes padrões, assiste-se a uma persistência da sua aplicação ao longo do desenvolvimento, minando muitas das vezes as performances e os percursos académicos das crianças e dos adultos.

A pergunta de 1 milhão de euros é: como é que isto se desenvolve? Vou só dar uma grande pista: os professores e os pais têm uma influência profunda no desenvolvimento destas orientações na criança. Mas esse tópico dá pano para outra manga.

Nota: A Psicologia do Desenvolvimento é fascinante também por estas explicações que nos apresentam na base da sua investigação.

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