Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

02
Dez19

O que a música nos dá

Se há coisa capaz de nos transmitir mil e uma sensações, essa coisa é a Música. E recentemente, existe uma que conseguiu transmitir-me coisas muito perfeitas. Uma mistura tão saborosa entre a vibe dos anos 80 aliadas à vibe dos tempos modernos. Uma mistura explosiva. Uma mistura que fala por si. Basta escutar.

https://www.youtube.com/watch?v=fHI8X4OXluQ

weeknd-1575005503-compressed.jpg

 

29
Nov19

Parentalidade: a frase da semana

Na parentalidade, discutem-se muito as práticas parentais que por si só estão intimamente ligadas àquilo que são os comportamentos das próprias crianças. Cabe-me a mim, aqui neste meu pequeno espaço, eleger a frase da semana sobre esta temática. No mínimo, serve para reflexão.

"As crianças só podem realmente aprender que se espera delas um bom comportamento se constatarem que o comportamento incorreto sofre consequências sistematicamente." (Webster-Stratton, 2005)

25
Nov19

A diferença entre os alunos que conseguem e os que não conseguem

É mais que certo que todos as crianças, em alguma ocasião, já se confrontaram com o fracasso. No entanto, nem todas apresentam a mesma resposta. Assim, surge a seguinte questão: então mas como é que umas conseguem estar perfeitamente diante do erro/falhanço e atingir os seus objetivos, enquanto outras tendem a desistir rapidamente. Essencialmente porque existem dois tipos de crianças, onde podemos encontrar formas respetivamente diferentes de explicarem os resultados alcançados.

1. Crianças orientadas para as suas competências: elas atribuem o seu sucesso às suas competências e tendem a externalizar os falhanços (e.g., "teste injusto") ou a atribuí-los a causas instáveis que podem facilmente ultrapassar (e.g., "faço muito melhor se me esforçar mais para a próxima"). Ou seja, estas crianças persistem perante a falha ao acreditar que o seu esforço subsequente vai levá-las de encontro a uma trajetória ascendente. Outro aspeto importante: as suas competências são vistas como estáveis, não flutuantes (o que permite um olhar muito mais confiante acerca de eventuais sucessos futuros e em relação à própria progressão das suas capacidades).

2. Crianças orientadas para o desânimo-aprendido: elas atribuem o sucesso a fatores instáveis como o trabalho árduo ou à sorte. Assim, não experienciam o orgulho e auto-estima que subjazem a uma visão do self como competente. Tendencialmente, atribuem os seus fracassos a fatores estáveis e internos, nomeadamente a sua falta de capacidade/competências, que tem como consequência a criação de baixas expetativas em relação a sucessos futuros, desistindo na maior parte das vezes. Se em relação às causas mais estáveis existe a perceção de que há pouco a fazer, então aparece a frustração e vê muito poucas razões para progredir - pára de tentar e reage com desesperança.

Uma vez estabelecido qualquer um destes padrões, assiste-se a uma persistência da sua aplicação ao longo do desenvolvimento, minando muitas das vezes as performances e os percursos académicos das crianças e dos adultos.

A pergunta de 1 milhão de euros é: como é que isto se desenvolve? Vou só dar uma grande pista: os professores e os pais têm uma influência profunda no desenvolvimento destas orientações na criança. Mas esse tópico dá pano para outra manga.

Nota: A Psicologia do Desenvolvimento é fascinante também por estas explicações que nos apresentam na base da sua investigação.

Sem Título.jpg

 

 

 

13
Nov19

O trânsito das nossas Emoções

No decorrer da nossa atividade como condutor , deparamo-nos com vários cenários de trânsito: uns mais agradáveis, outros que não são tão agradáveis e ainda os que nos deixam com o cérebro a arder. O mesmo se passa com as dinâmicas que estão relacionadas com o funcionamento das nossas emoções. Imaginemos então o Verde como as situações agradáveis que nos trazem conforto e nos permitem estar num estado de maior calma. O AMARELO tomará o significado quase como um sinal de alerta, para abrandarmos e  tomarmos em atenção áquilo que estamos a começar a sentir - seja raiva, seja tristeza, muitas vezes através de um desconforto, tensão, ansiedade ou de uma apatia. Já o Vermelho será sempre um sinal e um estado de alarme, algo que definitivamente não está bem e onde não é seguro avançar. Se atendermos á biologia evolucionista, a capacidade de discernirmos durante um sinal de vermelho (ou até mesmo amarelo) é realmente muito difícil, pois o cérebro não está tendencialmente 'programado' para o fazer. Por conseguinte, será muito importante sermos mais eficazes do que a nossa própria programação e tentar traçar novas linhas. Daí, surge o destaque para a Respiração. Numa situação de amarelo e/ou vermelho, começarmos a ganhar uma tendência para funcionarmos quase como uma tartaruga. Pensemos na carapaça da tartaruga e faremos o seguinte exercício: entrar na carapaça e respirar fundo 3 vezes. O objetivo nunca será ficar na carapaça, mas sim após um sinal amarelo ou num sinal de alarme vermelho retirarmos um pequeno pedaço de tempo para dizer-mos o seguinte para nós próprios - "pára, enche o peito de ar, acalma-te". Isto, ao mesmo tempo que conseguimos progressivamente descontrair os nossos músculos - ssencial para não termos que fazer uma travagem perigosamente forçada ou eventualmente passar o sinal de vermelho. No fundo, permanecer na carapaça até nos sentir-mos suficientemente calmos para sair. É muito fácil pensarmos nos ganhos que daí podemos vir a usufruir.

A vertente da auto-instrução é uma área de estudo e de investigação que se tem revelado muito importante naquilo que depois é o ajustamento psicossocial não só da criança, mas também do adulto. Eis alguns exemplos de coisas que podemos dizer para nós próprios, quer seja num sinal amarelo, quer seja num sinal vermelho:

- "respira fundo"

- "não vou deixar que isto me chateie"

- "eu sou capaz de me acalmar"

- "com mais paciência chego lá"

Como em tudo, todas estas componentes exigem prática. Sem a prática, sem a implementação ou tentativa de, o não-argumento do "é mais fácil falar do que fazer" não tem nenhum tipo de fundamento ou congruência.

semaforo.jpg

 

07
Nov19

A falácia do Pensamento Positivo

Se eu afirmar que o pensamento positivo é uma enorme falácia que é defendida pelos eternos positivistas desta vida, alguns 'escritores' de blogs sobre saúde e bem-estar e  alguns autores de livros de auto-ajuda, é muito provável que me esteja a atirar para um buraco de ostracização onde à superfície estarão obviamente as pessoas que defendem tal conceito. Reparemos: sem consultar um livro de auto-ajuda (prometo), o pensamento positivista mais célebre é o tal "vai tudo correr bem, não te preocupes" [já nem falemos na questão de que pensar isto mil vezes seguidas vai fazer com que provavelmente possar acontecer algo positivo - mundos esotéricos deixo para os lunáticos]. Agora vamos realmente pensar no que é que este tão ilustre pensamento positivo nos vai ajudar na prossecução de qualquer que seja o meu objetivo ou qualquer prossecução na resolução do problema com que me estou a deparar. Mas não adianta pensar muito tempo, pois dificilmente encontraremos uma resposta efetiva. Dá para debitar muita teoria sobre este tema, mas acho sempre muito mais interessante um convite à breve reflexão. Este assunto é também uma das milhões de razões que vai de encontro a uma ideia muito real e que eu defendo perentoriamente: nem todos sabem o que é A Psicologia, nem todos sabem DE Psicologia, nem todos sabem as funções dos nossos comportamentos, das coisas que sentimos ou que pensamos e que os ditos "psicólogos da vida" vivem somente num mundo fantasioso.

Se eu deixar as reflexões de parte e proporcionar aqui um mini momento científico, será interessante referir um estudo de 2014 realizado na Universidade da California: este estudo dividiu 101 alunos em 3 grupos. Ao grupo 1, fizeram com que estes pensassem que iam obter uma boa nota no próximo exame (pensamento positivo), no grupo 2 fizeram com que estes pensassem no processo de estudar e fazer o exame (pensamento orientado para a própria função), e no grupo 3 não fizeram qualquer tipo de intervenção. Curiosidade dos resultados obtidos: os alunos do grupo 2 tiveram melhores notas que os alunos do grupo sem intervenção. E o grupo 1 (pensamento positivo) teve piores resultados do que o grupo 3. 

Estudo referido: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0146167299025002010

24
Out19

Desmistificar é fixe

Esta publicação vai ser muito simples. Para todos aqueles que acreditam no transcendental e nomeadamente naquela "milenária" prática do movimento das mesas circulares em reuniões espíritas (sim, há quem acredite mesmo) (consiste na colocação das mãos num copo que se vai mexendo e formando palavras e/ou dirigindo-se para o "sim" ou para o "não"). Agora para todos os crentes, pensem no que aconteceria ao tal "além" se: 

1. Colocassem um conjunto de cartões empilhados na mesa que podiam deslizar com alguma facilidade, sobre os quais os participantes apoiariam as suas mãos.

2. Vendassem todos os participantes.

Aqui têm apenas um exemplo da anticientificidade destas práticas "milenais" que ainda não se descobriu qual o verdadeiro objetivo das mesmas. No entanto, vivemos ainda numa sociedade que se deixa levar pelo jargão que estes protagonistas (verdadeiros impulsionadores da mentira) usam.

21
Out19

Homeoterapia ou Homeomentira?

A moral daquilo que vou aqui relatar é a seguinte: existe e continuará sempre a existir uma ENORME vantagem de estar informado sobre as coisas. No entanto, só quem quer realmente ter acesso à informação e informar-se é que acabará no final de contas por ser informado (um bocado a lógica da batata, mas para este caso é preciso mesmo relembrar isto).

Apenas umas pequeninas palavras para todos aqueles que já foram a um homeopata e que levaram para casa uma receita de Oscillococcinum que pode oscilar entre os 10 e os 50 €uros, supostamente prescrita para "alívio de estados gripais e dos sintomas decorrentes tais como febre, dores de cabeça, arrepios, dores musculares e afins." A verdade é que este medicamento é somente feito de ÁGUA e AÇUCAR (saibam: provar o contrário desta afirmação é impossível). Infelizmente esta é uma tendência das chamadas coisas "alternativas" (porquê alternativas? Questiono-me). Acusam a indústria farmacêutica de querer lucrar com medicamentos que têm de passar por montes e vales de testes clínicos (para provar EFICÁCIA INEQUÍVOCA) e não acusam uma caixa com medicamentos de água e acuçar cujos valores podem ascender ao rídiculo e que só tem de provar que é INÓCUA para ser vendida. Não admira que não tenha efeitos secundários realmente e que seja "liberta de químicos" (uuuuuuuh, assustador). Afinal onde está a tal "indústria"? Sobre este caso em específico, questiono: trata-se da homeopatia ou de uma homeomentira que pode muito bem causar danos graves a pessoas que recorrem a este tipo de serviços? Tomemos atenção a uma citação retirada da entrevista ao médico Edzard Ernst (currículo invejável), que já fora inclusive praticante temporário de homeopatia:

"Imagine este cenário. Uma pessoa pode ir a um homeopata com sintomas de dores de cabeça, por exemplo. Um homeopata dá-lhe um remédio e, talvez por causa do efeito placebo, a pessoa fica melhor. Pode fazer isso durante seis meses e a pessoa pode ficar sempre melhor. Mas se ela acabar por visitar um médico ao fim desse tempo, pode perceber que tem um cancro na cabeça, por exemplo. E, de repente, aquele paciente perdeu seis meses de uma luta que devia começar a ser travada de imediato. Há muito casos assim - de terapeutas que sobrestimam aquilo que podem fazer e fazem um paciente perder um tempo valioso. Tempo que podia salvar a vida. São os riscos indiretos das terapias alternativas que, mesmo que não funcionem, também trazem consequências negativas".

Agora vem a parte em que retiramos um momento para refletir sobre isto.

Fica também o link da entrevista: 

1. https://observador.pt/2019/10/20/de-defensor-a-critico-das-terapias-alternativas-ha-terapeutas-que-fazem-o-doente-perder-tempo-valioso/

2. https://www.publico.pt/2019/10/17/ciencia/entrevista/edzard-ernst-medicina-alternativa-ameaca-tratamentos-funcionam-bem-trocaos-perigosos-1890265

Ilustração de como o Oscillococcinum é feito:

diliuicao-homeopatica.jpg

 

07
Out19

Um possível resumo das Legislativas 2019?

O único elemento destas Eleições que não merece nenhuma salva de palmas ou sequer voto na matéria nos próximos 4 anos é a chamada abstenção. Mais uma vez, atinge resultados históricos (45,5%). Mas dá para encarar como um pau de dois bicos. Se com este nível de abstenção conseguimos colocar a Extrema-Direita no parlamento, temo pelo voto da percentagem que podia ter contribuido para a diminuição deste inércia. Mas quero muito acreditar que podia funcionar ao contrário, evitando estes 'incidentes' políticos.

Pela Extrema-Direita identifico todas as pessoas que se congratulam pelas causas do "Chega". Questiono-me até se sabiam no que votavam, se leram uma alínea que seja do programa base deste grupo partidário. Eu passo a elencar algumas:

- Eliminar o cargo de primeiro-ministro

- Castração química de pedófilos

- Permitir a prisão perpétua

- Criar uma taxa única de IRS

- Extinguir o Ministério da Educação

- Promover a gestão privada dos Hospitais e da Saúde

- Fim do casamento homossexual e adoção de crianças por casais homossexuais

- Citações muito interessantes de serem analisadas do ponto de vista da sua formulação: "defendemos uma sociedade com base no mérito, onde os melhores não serão prejudicados pelos medíocres!" ; "O fim da aplicação das ideologias de inclusão e ideologia de género no sistema nacional de educação, colocando-se termo à aplicação das orientações da ONU relativamente às chamadas 'questões psicológicas de transtorno de identidade de género'" ;  "Em todos os graus de Ensino os professores recuperam totalmente a autoridade perdida sobre os alunos, sendo-lhes devolvidos todos os meios que lhes permitam manter a disciplina nas aulas". 

Chega?

________

Outros elementos a relevar destas Eleições:

- Descobri, através do discurso de vitória da Iniciativa Liberal (IL), que o Socialismo governa Portugal há mais de 20 anos. Não sabia (possívelmente um equívoco). 

- Descobri também que a IL classifica os últimos 4 anos como "estagnação".

- António Costa proferiu no seu discurso de vitória "Com o Chega não contamos para nada". Acredito que a maioria do parlamento reitera esta afirmação.

- No seu discurso de vitória, o representante do "Chega" afirma que daqui a 8 anos vão ser o maior partido de Portugal.

- Rui Rio (PSD) apresentou um discurso mais ou menos firme e mais ou menos decidido. No entanto, tivesse ele feito a oposição que fez no último mês antes das Eleições e o resultado podia ter ser bem melhor. Porém, penso que os concensos em pontos nevrálgicos de Portugal, são possíveis (e.g., Defesa).

- O Livre, por Joacine Katar, defendeu a não proliferação da extrema-direita no parlamento.

- O CDS-PP obteve um resultado negativamente histórico, com a líder Assunção Cristas a colocar à disposição o futuro do partido.

- O Bloco de Esquerda, em certa medida, consolidou a posição. Já o PCP ambicionava claramente um resultado positivamente diferente daquele que teve.

- O PAN vê as suas ideologias reforçadas dentro do parlamento, inclusive ao eleger uma deputada que ainda tem de ler e saber melhor o que consta no programa do próprio partido. Não deve ser fácil, 1196 medidas não são fáceis de interiorizar, nem mesmo elas estando por pontos.

Em relação à solução política que vai ser encontrada para os anos de governação que se seguem, esta terá forçosamente de ser baseada numa premissa: estabilidade.

Mesmo em conclusão e sabendo eu que estamos numa democracia, não vejo frutos benéficos e sólidos numa pluralidade parlamentar da forma como ficou estabelecida nestas eleições. Não consigo encontrar uma vantagem firme. É como se a perfeita Curva de Gauss começasse a ganhar ligeiras alterações nas suas extremidades, passando assim a designar-se com outro nome, mais esquisito e mais estranho ...

sdssdds.jpg#legislativas2019

06
Out19

Legislativas 2019

Factos neste dia de voto nas Eleições Legislativas 2019:

1. As pessoas continuam desinformadas acerca da política e do mundo, alimentando cada vez mais os partidos Populistas que nem sequer sabem fazer e/ou não têm a mínima ideia, por exemplo, do que são cenários macroeconómicos.

2. A Legislatura de 2015 a 2019 foi significativamente melhor do que a Legislatura de 2011 a 2015.

3. Entre o PS e o PSD não há O MELHOR.

4. Contudo, estes (PS e PSD) continuam a ser os partidos mais coerentes, menos populistas do que todos os outros, com uma visão pró-Europa ESSENCIAL e capazes de exercer atos de governação deste tipo. Nota: mesmo em coligações (positivas).

5. Conseguirmos votar é um direito que foi outrora conquistado. Usufruir desse direito é um privilégio.

Votação-secreta-em-assembleia-condominial-01-1#legislativas2019

30
Set19

Desmistificar os Mistificadores?

O fundamentalismo e o histerismo foram muito felizes (ou não) no século XIX e XX, mas parece que voltaram desta vez para atacar a Agricultura, as Vacas e a Carne em geral de violentarem estrondosamente e catastroficamente o efeito de estufa através da emissão de gases poluentes. Para este caso, será que duas imagens valem mais do que mil palavras?

EMISSOES 2017.jpg

carbon-dioxide-co2-emissions-by-sector-or-source.p

A largar foguetes, felizes e contentes estão certamente as Indústrias da Energia, do Petróleo e do Carvão. Ou então os responsáveis por Coimbra, onde com a decisão muito democrática e sustentada do corte de vaca nas cantinas universitárias já nem precisam de reduzir milhares de estacionamentos e de promover veemente o uso de transportes públicos.