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Curta Partilha, Curta Opinião

29
Dez19

O Papa e a ferida dos jovens

Confesso que não sou um seguidor assíduo das declarações do representante da Igreja Católica, mas parece-me que aqui acabou por tocar numa ferida que subjaz ao grande fenómeno das faixas etárias mais jovens: o uso excessivo e inadequado das tecnologias, nomeadamente enquanto se tenta que a criança coma a sopa toda. Desengane-se quem pensa que o vício é exclusivamente dos filhos. O vício é mútuo. Um, pela prática direta do uso (e.g., existem dados que apontam que crianças de 18 meses veem uma média de 14 horas de televisão por semana). O outro, pela prática direta de recorrer a essa mesma estratégia para obter um fim teoricamente agradável (exemplo: para a criança parar a birra). A propósito deste tema, eis o que a literatura científica recentemente nos disse [investigação datada de novembro de 2019, Poulain e colaboradores]: verificaram que um maior tempo dispendido no uso das tecnologias por parte das crianças estava associado a mais problemas de comportamento, mais sintomas relacionados com a inatenção e a hiperatividade e a um comportamento prosocial mais deficitário. São factos que, a meu ver, resistem às mais que vastas argumentações.

26
Dez19

As 4 nobres verdades

Existem 4 nobres verdades expressadas pela essência dos ensinamentos budistas num dos primeiros ensinamentos formais de Buda que, alheando-nos do contexto histórico e religioso contido, podem servir perfeitamente de reflexão para o nosso dia-a-dia:

- A vida traz inevitavelmente sofrimento

- Há uma fonte de sofrimento, que surge sempre que há um desequilíbrio entre o que acontece e o que desejamos que aconteça

- Ao eliminarmos esse desejo, podes acabar com o sofrimento

- Existe um caminho para acabar com esse sofrimento

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23
Dez19

A discussão do Aborto

Existem, de forma muito evidente, duas posições perante este tema: o lado conservador da vida humana e o lado conservador do livre arbítrio da mulher. A ideia de que se proibirmos o aborto reduziremos ou acabaremos com este fenómeno é uma autêntica falácia. Um estudo que abordou a incidência do aborto entre 1990 e 2014 (Sedgh, Bearak, Singh, Bakole, Popinchalk, Ganatra et al., 2016) verificou que as restrições realizadas em muitos países não parecem reduzir as taxas de aborto. No entanto, as estratégias mais eficazes no "combate ao aborto" (todos - conservadores de ambos os lados - concordam que queremos menos abortos) são as seguintes:

a. Acesso a Meios Anticoncepcionais e Educação Sexual nas escolas

b. Legalização do Aborto - que tem um impacto significativo na diminuição da criminalidade, ao contrário do que os, geralmente, não entendidos na matéria apregoam. Leva igualmente a um menor número de abortos ... pois oq ue se verifica é que as taxas de aborto são ligeiramente maiores em países com restrições ao aborto. Em Portugal, tem-se verificado uma taxa de abortamento a diminuir de ano para ano.

As orientações políticas têm, de uma vez por todas, de começar a deixar ideologias e substituí-las pelos dados que nos são fornecidos pelo conhecimento científico, nomeadamente pelo que os dados que daí saem, nos dizem. Um mundo profundamente ideológico (e.g., crenças partidárias) pode prejudicar gravemente uma sociedade, ignorando nuances importantes em decisões chave para o desenvolvimento do país.

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16
Dez19

A "esquecida" Saúde Mental

Este relatório do Conselho Nacional de Saúde que hoje saiu e que aborda a Saúde Mental em Portugal, projeta aquilo que terão de ser os esforços futuros a serem ainda realizados - "um desafio para a próxima década". Eu diria mais: "um VERDADEIRO desafio para a próxima década". Caso contrário, os dados tornar-se-ão progressivamente ainda mais alarmantes (o problema é que já são, em si, profundamente alarmantes, apenas com tentativas políticas aqui ou ali - não obstante, louvar o recente Programa Nacional para a Saúde Mental). O combate ao estigma tem de estar continuamente em voga, tal como todos os processos inerentes à promoção, prevenção e intervenção. Os estudos sobre custo-efetividade estão mais que claros. A realidade está nos olhos de todos os relatórios que são feitos neste âmbito. Neste em específico, nem é preciso ler tudo na íntegra para apontar alguns pontos chave que suscitam profunda reflexão:

- As perturbações psiquiátricas (em Portugal) têm uma prevalência de 22,9% (2º lugar entre os países europeus)

- A depressão afeta 10% dos portugueses

- A demência assume uma frequência de 20,8% por cada 1000 habitantes (4º lugar entre a OCDE)

- No consumo de antidepressores estamos em 5º lugar na OCDE

- Lei da Saúde Mental (decorridos mais de 20 anos) requer claramente reavaliações e avaliação do próprio cumprimento.

Os dados subjacentes à minha área de atuação profissional são também suscetíveis de reflexão:

- SNS com 290 psicólogos e 697 psicólogos clínicos.

- 8.5 psicólogos por 100 mil habitantes (Norte e Centro). 13.9 psicólogos por 100 mil habitantes (Algarve)

- (2016) 1,9 milhoes de utentes tiveram pelo menos uma prescrição de benzodiazepinas (...) médicos falam no "difícil acesso a tratamento psicológico e em motivar os utentes para consulta de psicologia"

Infelizmente a questão dos Recursos Humanos (escassez) alarga-se a todas as áreas com cientificidade comprovada (nos dias de hoje isto tem que ser bem frisado) e que são uma mais valia para que o sistema de saúde seja e funcione de forma eficaz: com isto, refiro-me para além dos psicólogos, aos psiquiatras, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e aos técnicos de ação social.

RELATÓRIO: http://www.cns.min-saude.pt/…/12/SEM-MAIS-TEMPO-A-PERDER.pdf

NOTICIA: https://www.rtp.pt/noticias/pais/saude-mental-esquecida-nas-ultimas-decadas-avisa-conselho-nacional-de-saude_n1192218?fbclid=IwAR3ZSac_Qy3TUA5RPEiZ1dCfGWP87-DQBKtcgaQjshXhQgQS9RUz0QmO3Lk

09
Dez19

A chuva dourada do Ângelo

É para mim inevitável dizer que é um privilégio começar a semana com momentos humorísticos de alto nível. Porém, as chuvas douradas desta vida cobrem infelizmente a ignorância de uma pequena (?) parcela da sociedade que não sabe a sorte que tem naquilo que o Progresso Científico e a Evidência Ciêntifica nos vem dando ao longo das últimas décadas (e.g., esperança média de vida). Progresso esse, por exemplo, que permitiu a este indivíduo sobreviver e realizar cirurgias clinicamente complexas. A forma como se exalta moderamente o trabalho de todos os profissionais de Medicina envolvidos e depois se coloca um "mas" perfeitamente intencionado/convicto para introduzir um devaneio, deverá ser angustiante para qualquer pessoa com noção. Se este senhor não tivesse sobrevivido, falar-se-ia mal da Medicina e do funcionamento dos Sistemas de Saúde em Portugal. Aí, as chuvas coloridas nunca apareciam. Muitos podem considerar isto inócuo, mas hoje em dia já não é tão inócuo assim. Esta dita "parcela" da sociedade, em pleno século XXI, consome  medicamentos homeopáticos feitos de água e açucar, espetam agulhas na pontinha da orelha para curar a depressão, impulsionam o milagre das dietas veganas, promovem a anti-vacinação (nota: fazemos 40 anos de irradicação da varíola!) e acreditam até que a terra é plana [dá pano para todas as mangas]. Em muitos casos, para quem não sabe, estas coisas dão lugar a verdadeiras situações de Saúde pública. 

Para lá da seriedade da questão, fica então o link da "notícia" que conseguiu englobar (felizmente) o humor do António Raminhos e até do próprio Ângelo Rodrigues: https://holofote.sapo.pt/celebridades/2019-12-09-raminhos-faz-piada-sobre-a-chuva-dourada-e-angelo-rodrigues-reage/

02
Dez19

O que a música nos dá

Se há coisa capaz de nos transmitir mil e uma sensações, essa coisa é a Música. E recentemente, existe uma que conseguiu transmitir-me coisas muito perfeitas. Uma mistura tão saborosa entre a vibe dos anos 80 aliadas à vibe dos tempos modernos. Uma mistura explosiva. Uma mistura que fala por si. Basta escutar.

https://www.youtube.com/watch?v=fHI8X4OXluQ

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