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Curta Partilha, Curta Opinião

29
Nov19

Parentalidade: a frase da semana

Na parentalidade, discutem-se muito as práticas parentais que por si só estão intimamente ligadas àquilo que são os comportamentos das próprias crianças. Cabe-me a mim, aqui neste meu pequeno espaço, eleger a frase da semana sobre esta temática. No mínimo, serve para reflexão.

"As crianças só podem realmente aprender que se espera delas um bom comportamento se constatarem que o comportamento incorreto sofre consequências sistematicamente." (Webster-Stratton, 2005)

25
Nov19

A diferença entre os alunos que conseguem e os que não conseguem

É mais que certo que todos as crianças, em alguma ocasião, já se confrontaram com o fracasso. No entanto, nem todas apresentam a mesma resposta. Assim, surge a seguinte questão: então mas como é que umas conseguem estar perfeitamente diante do erro/falhanço e atingir os seus objetivos, enquanto outras tendem a desistir rapidamente. Essencialmente porque existem dois tipos de crianças, onde podemos encontrar formas respetivamente diferentes de explicarem os resultados alcançados.

1. Crianças orientadas para as suas competências: elas atribuem o seu sucesso às suas competências e tendem a externalizar os falhanços (e.g., "teste injusto") ou a atribuí-los a causas instáveis que podem facilmente ultrapassar (e.g., "faço muito melhor se me esforçar mais para a próxima"). Ou seja, estas crianças persistem perante a falha ao acreditar que o seu esforço subsequente vai levá-las de encontro a uma trajetória ascendente. Outro aspeto importante: as suas competências são vistas como estáveis, não flutuantes (o que permite um olhar muito mais confiante acerca de eventuais sucessos futuros e em relação à própria progressão das suas capacidades).

2. Crianças orientadas para o desânimo-aprendido: elas atribuem o sucesso a fatores instáveis como o trabalho árduo ou à sorte. Assim, não experienciam o orgulho e auto-estima que subjazem a uma visão do self como competente. Tendencialmente, atribuem os seus fracassos a fatores estáveis e internos, nomeadamente a sua falta de capacidade/competências, que tem como consequência a criação de baixas expetativas em relação a sucessos futuros, desistindo na maior parte das vezes. Se em relação às causas mais estáveis existe a perceção de que há pouco a fazer, então aparece a frustração e vê muito poucas razões para progredir - pára de tentar e reage com desesperança.

Uma vez estabelecido qualquer um destes padrões, assiste-se a uma persistência da sua aplicação ao longo do desenvolvimento, minando muitas das vezes as performances e os percursos académicos das crianças e dos adultos.

A pergunta de 1 milhão de euros é: como é que isto se desenvolve? Vou só dar uma grande pista: os professores e os pais têm uma influência profunda no desenvolvimento destas orientações na criança. Mas esse tópico dá pano para outra manga.

Nota: A Psicologia do Desenvolvimento é fascinante também por estas explicações que nos apresentam na base da sua investigação.

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13
Nov19

O trânsito das nossas Emoções

No decorrer da nossa atividade como condutor , deparamo-nos com vários cenários de trânsito: uns mais agradáveis, outros que não são tão agradáveis e ainda os que nos deixam com o cérebro a arder. O mesmo se passa com as dinâmicas que estão relacionadas com o funcionamento das nossas emoções. Imaginemos então o Verde como as situações agradáveis que nos trazem conforto e nos permitem estar num estado de maior calma. O AMARELO tomará o significado quase como um sinal de alerta, para abrandarmos e  tomarmos em atenção áquilo que estamos a começar a sentir - seja raiva, seja tristeza, muitas vezes através de um desconforto, tensão, ansiedade ou de uma apatia. Já o Vermelho será sempre um sinal e um estado de alarme, algo que definitivamente não está bem e onde não é seguro avançar. Se atendermos á biologia evolucionista, a capacidade de discernirmos durante um sinal de vermelho (ou até mesmo amarelo) é realmente muito difícil, pois o cérebro não está tendencialmente 'programado' para o fazer. Por conseguinte, será muito importante sermos mais eficazes do que a nossa própria programação e tentar traçar novas linhas. Daí, surge o destaque para a Respiração. Numa situação de amarelo e/ou vermelho, começarmos a ganhar uma tendência para funcionarmos quase como uma tartaruga. Pensemos na carapaça da tartaruga e faremos o seguinte exercício: entrar na carapaça e respirar fundo 3 vezes. O objetivo nunca será ficar na carapaça, mas sim após um sinal amarelo ou num sinal de alarme vermelho retirarmos um pequeno pedaço de tempo para dizer-mos o seguinte para nós próprios - "pára, enche o peito de ar, acalma-te". Isto, ao mesmo tempo que conseguimos progressivamente descontrair os nossos músculos - ssencial para não termos que fazer uma travagem perigosamente forçada ou eventualmente passar o sinal de vermelho. No fundo, permanecer na carapaça até nos sentir-mos suficientemente calmos para sair. É muito fácil pensarmos nos ganhos que daí podemos vir a usufruir.

A vertente da auto-instrução é uma área de estudo e de investigação que se tem revelado muito importante naquilo que depois é o ajustamento psicossocial não só da criança, mas também do adulto. Eis alguns exemplos de coisas que podemos dizer para nós próprios, quer seja num sinal amarelo, quer seja num sinal vermelho:

- "respira fundo"

- "não vou deixar que isto me chateie"

- "eu sou capaz de me acalmar"

- "com mais paciência chego lá"

Como em tudo, todas estas componentes exigem prática. Sem a prática, sem a implementação ou tentativa de, o não-argumento do "é mais fácil falar do que fazer" não tem nenhum tipo de fundamento ou congruência.

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07
Nov19

A falácia do Pensamento Positivo

Se eu afirmar que o pensamento positivo é uma enorme falácia que é defendida pelos eternos positivistas desta vida, alguns 'escritores' de blogs sobre saúde e bem-estar e  alguns autores de livros de auto-ajuda, é muito provável que me esteja a atirar para um buraco de ostracização onde à superfície estarão obviamente as pessoas que defendem tal conceito. Reparemos: sem consultar um livro de auto-ajuda (prometo), o pensamento positivista mais célebre é o tal "vai tudo correr bem, não te preocupes" [já nem falemos na questão de que pensar isto mil vezes seguidas vai fazer com que provavelmente possar acontecer algo positivo - mundos esotéricos deixo para os lunáticos]. Agora vamos realmente pensar no que é que este tão ilustre pensamento positivo nos vai ajudar na prossecução de qualquer que seja o meu objetivo ou qualquer prossecução na resolução do problema com que me estou a deparar. Mas não adianta pensar muito tempo, pois dificilmente encontraremos uma resposta efetiva. Dá para debitar muita teoria sobre este tema, mas acho sempre muito mais interessante um convite à breve reflexão. Este assunto é também uma das milhões de razões que vai de encontro a uma ideia muito real e que eu defendo perentoriamente: nem todos sabem o que é A Psicologia, nem todos sabem DE Psicologia, nem todos sabem as funções dos nossos comportamentos, das coisas que sentimos ou que pensamos e que os ditos "psicólogos da vida" vivem somente num mundo fantasioso.

Se eu deixar as reflexões de parte e proporcionar aqui um mini momento científico, será interessante referir um estudo de 2014 realizado na Universidade da California: este estudo dividiu 101 alunos em 3 grupos. Ao grupo 1, fizeram com que estes pensassem que iam obter uma boa nota no próximo exame (pensamento positivo), no grupo 2 fizeram com que estes pensassem no processo de estudar e fazer o exame (pensamento orientado para a própria função), e no grupo 3 não fizeram qualquer tipo de intervenção. Curiosidade dos resultados obtidos: os alunos do grupo 2 tiveram melhores notas que os alunos do grupo sem intervenção. E o grupo 1 (pensamento positivo) teve piores resultados do que o grupo 3. 

Estudo referido: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0146167299025002010